O sentimento em torno da eleição de obama contagiou o mundo. a mesma esperança sentida nos eua se espalhou por todos os continentes. “nós podemos mudar o mundo? yes, we can!” discursos maravilhosos foram proferidos, inclusive pelo candidato derrotado.
em certo sentido, a relação com a primeira eleição de lula (2002) não seria equivocada. em ambos os casos, cidadãos foram tomados de sentimentos nobres, muito se escreveu sobre as origens dos ganhadores, sobre as enormes possibilidades de mudança para melhor, etc.
muita emoção e comoção… muita esperança… pouca realidade…
ultimamente vários líderes ao redor do mundo são recebidos como novos messias. obama, talvez, seja o mais novo messias e o com maior alcance, tendo em vista as reações no mundo todo, inclusive na europa e oriente médio, lugares aonde o antiamericanismo era alto.
dois fatores precisam ser considerados. primeiro, ninguém consegue mudar nada sozinho. nem a si mesmo, nem a outros. por vontade única, nem o casamento pode ser salvo… para mudar qualquer coisa e, principalmente, o mundo, é preciso mais do que uma pessoa. em segundo lugar, mudar o mundo é subjetivo para todos, pois para o dono da megaconstrutora multinacional seria uma coisa e para sua esposa ou empregado seria outra. além disso, muitos podem concordar em grandes questões subjetivas, como “acabar com a fome”, “diminuir a desigualdade social/ econômica”, mas o como isso será feito é o divisor de águas. cada qual possue uma ou mais idéias das quais não abriria mão.
assim que, para ‘mudar o mundo’, uma enorme dose de união de pessoas e de ideologias é essencial. quer dizer que, a democracia, como a conhecemos, tende a acabar… só há mudança coletiva se houver consentimento coletivo e, olhando ao seu redor, isso parece possível?
para mim, a eleição de obama significa um marco histórico em diversos sentidos. em especial, um marco histórico de retrocesso mental. uma lavagem cerebral. não pelo candidato/ pessoa, em si, mas pela maneira como é recebido.
messianismo não é novidade alguma, mas alguns destes messias causaram gigantescas perseguições, milhares de mortes, intolerância religiosa e política, etc, e tudo em nome da ‘mudança do mundo’, da melhoria da vida… os últimos messias ainda nos dão dor de estômago (napoleão, castro, hitler, etc). e estes o foram em suas localidades. o que esperar de um messias mundial?
enfim, tanta esperança depositada em um messias, tão pouca esperança no Messias…
Sobre o autor
"Livros são objetos transcendentes" (c.v.). Formado em letras e teologia, atua como pastor na Beth Bnei Tsion e na Nova Semente, além de mestrando em estudos judaicos (poesia bíblica) na USP. Gosta de comer bem, fazer snowboard e ler dormindo (quem lê, entenda).



































